segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Para fidelizar clientes, primeiro fidelize sua própria equipe

Frederick Reichheld é reconhecido hoje em dia como um dos maiores especialistas em lealdade de clientes do mundo inteiro. Estudando há vários anos o assunto, ele tem sido referência para qualquer trabalho sério na área de lealdade e fidelização de clientes.

Uma das mais abordagens mais interessantes de Reichheld sobre esse assunto está presente no seu livro A Estratégia da Lealdade, onde o consultor discorre sobre a importância de fidelizar primeiro a equipe e funcionários da empresa, pois só uma equipe leal consegue ter clientes leais. Rotatividade na equipe de vendas, segundo ele, acaba se traduzindo em rotatividade e perda de clientes. Daí a importância cada vez maior do endomarketing nas empresas.

Naturalmente, surge então a pergunta: “Como fidelizar funcionários?”. Segundo Reichheld, começando pelo começo: descobrindo a quantas anda a lealdade da própria equipe. Para tanto, criou um questionário que ele chama do “teste ácido da lealdade de funcionários”. São 14 perguntas a serem respondidas de maneira anônima. Fazendo um trabalho destes a cada 3 meses, um bom líder consegue descobrir pontos falhos dentro da própria empresa, e o que pode ser feito para melhorar.

  1. Qual é a probabilidade de você continuar trabalhando nesta empresa daqui a dois anos?
  2. Qual é seu grau de satisfação em relação ao seu chefe imediato?
  3. Você indica clientes para nossa empresa?
  4. Você acha que a empresa se comunica de maneira aberta e honesta com os funcionários?
  5. Você acha que a empresa é correta com os clientes?
  6. Você acha que os líderes da empresa são íntegros e honestos?
  7. Você acha que a lealdade dos clientes desta empresa é estimulada e premiada
  8. Você acredita que esta empresa merece sua lealdade?
  9. Você acredita que esta empresa valoriza mais as pessoas do que os lucros?
  10. A empresa facilita o contato dos clientes?
  11. A empresa estabelece padrões de excelência para todo o setor?
  12. A empresa têm uma estratégia clara para vencer?
  13. A empresa atrai e mantém excelentes profissionais?
  14. A empresa cria soluções criativas para melhorar a vida de seus clientes?

Com as respostas a este simples questionário, você terá uma boa visão de como anda a lealdade da sua equipe, e provavelmente encontrará coisas muito interessantes... nem todas negativas. Como bom líder, é melhor você saber que isso está acontecendo para poder agir proativamente e já resolver os problemas que andam incomodando sua equipe.

Lembre-se que as informações devem ser confidenciais e tratadas de maneira construtiva. Se não for assim, sua equipe nunca mais participará de um processo desses, e você terá uma queda brutal no moral e, principalmente, na lealdade da equipe. Como o objetivo do trabalho é justamente o contrário, aplique o questionário e use as respostas com sabedoria.


Artigo para a Liderança em Vendas - www.lideraonline.com.br

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Simplicidade

Existe uma pressão cada vez maior em fazer mais em menos tempo. Comecei a sentir isso anos atrás, ao me sentir culpado por sentar no sofá no final da tarde e sorrir por não ter nada para fazer. Infelizmente, a sensação durou pouco, pois meu cérebro começou imediatamente a fazer uma lista de coisas, algumas úteis, outras não, que eu poderia estar fazendo no momento e, rapidamente senti remorso por estar ali, “perdendo tempo” (quando na verdade deveria estar curtindo o final de um dia produtivo).

Noto também que é comum vermos gente almoçando e falando ao celular ao mesmo tempo. Muitas vezes, até interrompem quem está à sua frente para falar com alguém que está em outro lugar. Além da falta de educação (e de respeito), o que dá para notar é que algumas dessas pessoas realmente não estão almoçando, estão apenas colocando comida para dentro. É como se fosse uma parada obrigatória, mas, se pudessem escolher, estariam fazendo outra coisa, em outro lugar, com outras pessoas. Essas pessoas não estão ali de verdade, se estivessem, notariam os jogos de luzes e sombras, o aroma, a energia do local, o sabor da comida, a cor do prato, os talheres. Mas tudo o que querem é colocar a comida rápido para dentro, para “voltar para a vida” como se aquele momento também não fizesse parte dela.

Precisamos ter a disciplina de prestar atenção nessas coisas, pois são elas que nos relembram que estamos vivos, que não estamos sozinhos e que parte de algo maior, que estamos conectados com o resto do universo. Você não consegue controlar tudo, mas ao escolher a simplicidade descobrirá que, muitas vezes, pouco pode ser muito.

“Devagar que tenho pressa”, foi dito por Napoleão. Precisamos aprender a dizer “não” a algumas coisas para poder prestar mais atenção em outras. Até mesmo nas coisas materiais. Quantas coisas temos e que não precisamos? Realmente precisamos de todas as bugigangas, eletrônicas ou não, que temos em nossa vida?

Note que cada coisa a mais que você coloca na sua vida demanda um tempo maior que será dedicado a isso. O que significa necessariamente, menos tempo para o resto pois, como você já deve ter notado, infelizmente o tempo não estica. São 24 horas e só, acabou o dia. Tanto que qualquer especialista sério de administração do tempo começa seu curso explicando que nós não administramos o tempo, pois ele é “inadministrável”. Por mais que você tente, um segundo demora um segundo e um minuto demora um minuto. A única coisa que você pode administrar é o que fará com aquele minuto, o que dá prioridade e fará agora e o que deixará para amanhã. Ou seja, você administra o que faz com o tempo, mas não o tempo em si.

Então não adianta reclamar que o dia é curto ou que você tem coisas demais para fazer. O problema muitas vezes, está em provocar a complicação e não procurar a simplicidade por não saber dizer “não”.

Como o que você está fazendo neste exato instante é terminar de ler meu pequeno artigo, gostaria de aproveitar o momento para relembrá-lo da importância da simplicidade e da disciplina em dizer “não” às coisas que roubam seu tempo do que é realmente importante na sua vida. Todo mundo faz listas de coisas “a fazer”, eu acho que deveríamos todos ter listas de coisas “a não fazer”. Com certeza seria bem útil e simples.

Editorial Revista Venda Mais (www.vendamais.com.br)

domingo, 25 de novembro de 2007

Ecologica vende mais livros com Grandes Idéias em Marketing

Esta aqui foi retirada da newsletter Grandes Idéias em Marketing - adoro quando os assinantes colocam em prática nossas dicas e aumentam suas vendas.

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José Francisco Martins percebeu que sua empresa cresceu muito depois que começou a colocar em prática várias idéias e por esse motivo resolveu compartilhá-las com os leitores da newsletter Grandes Idéias em Marketing. Segundo Martins, essas idéias mudaram totalmente o rumo do seu negócio.

A Editora Ecológica sempre vendeu livros diretamente para alunos, dentro da sala de aula, através de uma pequena palestra. Este tipo de venda ficou muito difícil e por isso partiram para uma nova maneira de vender. Ao invés de trabalharem com livros para alunos, optaram por trabalhar com livros para professores. O posicionamento estava criado, porém, não foi tão fácil colocá-lo em prática.

Martins conta que no ramo em que ele atua, um vendedor autônomo abastece o carro com todo o tipo de livros, chega na escola e expõe os livros na sala dos professores e vende. Até ai tudo bem, mas normalmente este mesmo vendedor trabalha de forma passiva, ou seja, fica sentado na frente da professora e só responde o que ela pergunta, isso quando sabe a resposta.

A princípio Martins e sua equipe trabalhava da mesma forma passiva que seus concorrentes, mas percebeu que as professoras não estavam mais agüentando este tipo de vendedor, tomando o tempo precioso de seu café. Diante do problema ele fez uma reunião com todos os vendedores e anotou tudo aquilo que poderia ser melhorado. “Foi a melhor reunião que já tivemos nos últimos anos, pois a partir dela a minha empresa passou a ser líder no mercado Mineiro”, revela. Confira as 10 idéias executadas pela Editora Ecológica que resultaram em um crescimento de 400% em seu faturamento:

1. Elaborou uniformes novos.
2. Criou crachás com identificação e dados do vendedor.
3. Passou a fornecer treinamento sobre toda a linha de produtos.
4. Todos os produtos foram etiquetados com código de barras e principalmente com preço, facilitando a identificação por parte dos clientes.
5. Implantou uma nova política de desconto com novas condições de pagamento - boleto em até 5x em todos os cartões de créditos.
6. Criou vantagens na hora da entrega. Hoje oferecem frete gratuito para todo Brasil.
7. Desenvolveu um Cartão Fidelidade, com ele o cliente passou a ter descontos especiais.
8. Ampliou seu mix de produtos. Hoje vende tudo que uma escola precisa como: Livros, Dvds educativos, Equipamentos, Mobília, Papelaria... Possui mais de 6.000 itens.
9. Mudou a forma de abordagem. Atualmente no ato da apresentação dos produtos, os vendedores montam cada item que será apresentado na sala dos professores e antes de começar a venda, fazem uma pequena introdução agradecendo a atenção de todos.
10. Criou um catálogo físico bem ilustrado e desenvolveu um catálogo eletrônico que foi instalado nas escolas para consulta direta pelo computador.

Viste do sire: www.grupoecologica.com.br

Parabéns, José Francisco! Por ter participado com sua história, você ganhará uma assinatura anual da newsletter Grandes Idéias em Marketing. Agora é a sua vez. Envie-nos seu exemplo sobre Criatividade em Vendas para o e-mail: raul@editoraquantum.com.br .

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Faça como eu digo mas não faça como eu faço

Esta eu recebi do professor Paulo Sérgio, que é consultor e usa nosso material em seu trabalho de assessoria comercial. Achei que valia a pena divulgar, porque mostra os excelentes resultados que um grande profissional tem quando alia seu conhecimento, experiência com as ferramentas disponíveis.

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Raul, deixe-me te contar uma história boa para suas revistas...

Prestando consultoria a determinada empresa, estávamos elaborando o planejamento estratégico da mesma, estabelecendo a missão, visão, valores. Quando visitamos o estabelecimento, denotamo-nos com uma imagem terrível (para usar uma palavra amena). Um ambiente feio, sujo, com as paredes todas riscadas, com vazamentos e infiltrações. Trata-se de uma panificadora. Imagine que maravilha!

Iniciamos nossa conversa com os proprietários e ouvimos deles, quando perguntamos quais eram as intenções deles com a nossa contratação (na verdade, muitas pessoas pensariam em indicar um pedreiro, um encanador para prestar serviços, e não um trabalho de consultoria).

A resposta me causou extremo espanto: "aqui, nós priorizamos o valor ao ser humano. Nossos salários são os melhores da praça. Temos um compromisso com a qualidade dos nossos produtos e uma dedicação tamanha por nossos clientes".

Imagine só Raul, a missão que daria para elaborar com esse comentário?

Sou leitor assiduo das suas revistas, você sabe disso. Portanto, somados aos meus conhecimentos empíricos, as demais leituras e as leituras da VENDAMAIS, MOTIVAÇÃO E GESTÃO, retruquei ao cliente o seguinte: "Senhor Fulano, sua declaração muito me alegra. Mas tenho um questionamento a fazer: o que o senhor entende pelo adágio popular "faça o que eu digo mas nao faça o que eu faço"? E, obviamente, larguei um sorriso falso em meus lábios, para tentar amenizar a provável resposta do abençoado! rss

Na verdade, ele não captou minha pergunta ou pelo menos se fez de desentendido, porém, contratou-nos.Antes de qualquer nova reunião que pudéssemos ter, enviei-lhe várias edições da newsletter GESTÃO e alguns artigos marcados da VENDAMAIS e da MOTIVAÇÃO.

Após determinado tempo, que defini para marcarmos nova reunião, ao adentrar a empresa tive uma "baita" surpresa: ele havia feito várias modificações no ambiente, sem eu ter dado qualquer conselho pessoal. Apenas com a leitura dos artigos e das edições da GESTÃO ele entendeu do que se tratava meu questionamento sobre o adágio e ele próprio confessou-me isso.

Depois disso, pudémos estabelecer um melhor planejamento estratégico e hoje auxiliamos a empresa em diversas áreas: contabilidade, vendas, cursos e palestras. Por isso agradeço as suas revistas Raul e confio plenamente nos trabalhos que nos prestam com os artigos e todos os tópicos. É claro que sempre mantenho minha visão crítica e de questionamentos.

Agora, é inquestionável a colaboração prática que as revistas me proporcionam.

Um abraço Raul

Paulo

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

VendaMais com telegramas

Esta quem me mandou foi o Weber, dos Correios de Minas, amigo, colega treinador e assinante da revista VendaMais. Lendo um de meus livros, lembrou-se de algo que surgiu num de seus cursos: usar o telegrama como ferramenta de vendas. Aliás, no meu Criatividade em Vendas também conto uma história sobre essa opção barata, rápida e eficaz de falar com clientes.

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Salve, salve grande Raul!

Como você mesmo solicitou no livro Venda Mais, no tópico "fax-marketing", segue sugestão apresentada pela equipe de vendas de Minas Gerais em um de meus seminários de vendas.

- Utilização do Telegrama, para campanhas de forte impacto e apelo emocional.Em nossas pesquisas, ficou demonstrado que se houver malas-diretas e objetos postais de maneira geral na caixa do correio juntamente com um envelope de Telegrama, este último é sempre o primeiro (às vezes o único) as ser aberto e lido imediatamente.

Outra das utilizações do Telegrama atualmente: faculdades que desejam uma resposta rápida (matrícula de candidatos que prestaram vestibular em várias instituições ao mesmo tempo).
Abriu, leu, se matriculou, todo mundo ganha.

Abraço e sucesso,

Weber Abras

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Curso André Silva - AJS


André Silva, da AJS Consultoria & Motivação em Vendas, realizou na Federasul o curso "Como superar as objeções dos clientes". Temos uma parceria e ele distribui exemplares da VendaMais entre os participantes. Obviamente chei que ficou muito interessante a foto... :-)

domingo, 4 de novembro de 2007

Os 3 horizontes do crescimento

Um livro que todo empresário deveria ler é “A Alquimia do Crescimento”, publicado no Brasil pela Editora Record. Nele, Mehrdad Baghai e seus colegas da McKinsey defendem que uma empresa, para crescer, precisa administrar projetos em três horizontes diferentes.

a) Horizonte 1: É o presente, os projetos ligados ao dia a dia, a busca de metas estabelecidas. O perfil do profissional de sucesso neste horizonte busca a maximização do lucro através da excelência na execução.

b) Horizonte 2: Novidades e lançamentos. São os novos produtos e serviços lançados por empresas para completar seu mix, entrar em novos mercados, contra-atacar a concorrência, etc. O perfil de profissional de sucesso aqui são empreendedores que aceitem o desafio de desbravar novas fronteiras.

c) Horizonte 3: É o que chamaríamos de “laboratório”. É onde novas idéias e conceitos são testados – se forem aprovados e tiverem viabilidade comercial, passam para a fase 2. Neste estágio precisamos de visionários e planejadores estratégicos.

Da mesma forma que qualquer expert no mercado de ações recomenda que se tenha um portfolio de empresas na sua carteira de investimentos, os autores também defendem que uma empresa precisa ser uma máquina constante de lançamentos e inovações. A questão toda é saber quais são exatamente os projetos que deveriam ser estimulados e como isso deveria ser feito. A idéia é se criar um funil de projetos sendo desenvolvidos (“stairways”, ou escadarias) que permitem à empresa ir adaptando-se ao meio-ambiente sempre em mutação e ir “subindo” pela escadaria nova em busca de um futuro promissor sustentável. Daí a necessidade de administrar os três horizontes.

Isso é claramente difícil e complicado, pois as exigências de cada uma das fases são obviamente diferentes umas das outras. E as empresas que desenvolvem uma competência raramente conseguem administrar bem as outras duas – até mesmo por causa de atritos internos constantes.

Por exemplo, quando mal planejados, projetos de Horizonte 2 também são maltratados e, com isso, minam o crescimento das empresas. É comum um novo produto ou serviço ser lançado com expectativas altíssimas, pressão sobre equipes de vendas, campanhas de lançamento, etc. e depois deixado de lado porque atrás dele vem um outro lançamento que precisa de atenção. Mesmo sabendo que um novo produto ou serviço leva tempo para se estabelecer e atingir seu pleno potencial, a correria é tanta que não se consegue dar a eles a atenção necessária.

É mais ou menos com se tivéssemos que fazer um suco de laranja e só tivéssemos um segundo para espremer a laranja. Metade do suco ficou na fruta e não foi aproveitado por causa da pressa. É a mesma sensação que me dá em muitas empresas que visito. As pessoas claramente ficam frustradas com isso, mas não sabem o que fazer ... e continuam lançando novidades mesmo assim.

O segredo todo está no equilíbrio. Escolher e planejar bem os projetos nos quais vai se investir (Horizonte 3), testá-los e desenvolvê-los com paciência, permitindo que realmente cresçam e alcancem todo seu potencial (Horizonte 2) e depois foco total na disciplina e excelência operacional (Horizonte 1).

O interessante é que a mesma lógica pode ser aplicada para projetos pessoais. Assim como as empresas, qualquer pessoa de sucesso vai estar sempre administrando esses três horizontes – o curto, o médio e o longo prazo. É isso que evita a acomodação e nos faz crescer.

E você – como tem tratado seus horizontes? Quanto suco tem tirado das suas laranjas?Abraço e boa$ venda$,

Raul Candeloro

domingo, 15 de julho de 2007

Um objetivo é um sonho com um plano e um prazo

Recentemente finalizamos a Coleção Passos da Venda com seus sete livros (estão todos disponíveis aqui: www.editoraquantum.com.br). Entretanto, nenhum vendedor pode se considerar pronto para a ação sem se preparar e planejar suas ações. Por isso, acabamos de lançar um novo título para a coleção: Preparação e Planejamento, que conta ainda com dicas de administração do tempo.

Gostaria de compartilhar um capítulo do novo livro, que fala sobre planejamento global. Espero que ajude-o a alcançar seus objetivos em vendas e em todas as outras áreas de sua vida.

Para começar, você sabe onde vai estar daqui a um ano? Como você vai chegar lá? Você estabeleceu suas metas para este ano? Colocou no papel? Se não fez isso, provavelmente você vai estar no mesmo lugar o ano que vem – só que mais velho! E talvez desejando estar em outro lugar..., só que desmotivado e sem as instruções de como chegar lá.

Aliás, você sabe quais são os principais motivos por que as pessoas não atingem seus objetivos? Segundo o especialista Jeffrey Gitomer são apenas três:

I. As pessoas falham ao não escreverem seus objetivos, colocando-os em lugares bem visíveis.
II. As pessoas falham ao não fazerem planos que concretizem esses objetivos.
III. As pessoas falham ao não se dedicarem totalmente a seguir esse plano ou a alcançar seus objetivos.

Estas razões parecem bem fáceis de resolver, mas estudos realizados nos Estados Unidos mostram que quase 70% dos adultos têm metas escritas para suas vidas. Uau!

Aqui estão 10 passos para definir seus objetivos pessoais – e planejar como alcançá-los:

1. Estabeleça objetivos claros e específicos, e ponha-os no papel: Dizer que quer ganhar mais dinheiro e ser um vendedor de sucesso, por exemplo, não é um bom objetivo. Ele é claro, mas não é específico. Quanto dinheiro você quer ganhar? Até quando? (Você não vai ficar milionário amanhã) Qual será o tamanho de sua carteira de clientes? Atletas olímpicos e recordistas mundiais são famosos por visualizarem, com os mínimos detalhes, suas vitórias meses antes da competição. Você deve fazer o mesmo para obter sucesso: visualize seu objetivo de maneira clara e específica e ponha-o no papel, pois isso o obriga a concentrar seus esforços em busca de resultados, ao invés de dispersá-los.

2. Sonhe – com os pés no chão: É importante ser realista. A melhor receita para uma úlcera, estresse e depressão é obrigar-se a atingir objetivos inalcançáveis, ou num espaço de tempo curto demais. Por isso é importante manter sempre aguçado seu senso de realidade. Tem outro dado igualmente importante. Uma pesquisa realizada pela revista INC. entre os presidentes e CEO’s das 500 empresas que mais cresceram nos últimos anos nos EUA, mostra um fato interessantíssimo: cerca de 40% dos entrevistados não tinham planejado seu sucesso. Empresários que multiplicaram seu faturamento por 5, 10 e até 20 vezes num ano disseram que estavam tão ocupados trabalhando que não tinham notado seu crescimento fantástico. Sonhar é bom, principalmente para quebrar paradigmas e visualizar novas realidades, mas, depois de feito isso, trabalhar geralmente é bem mais produtivo.

3. Monte um cronograma: O tempo é hoje o recurso mais escasso e valioso na face da Terra. A melhor maneira de otimizá-lo é montando um cronograma, passo a passo, de tudo que precisa ser feito para conquistar seu objetivo. Não é necessário nada complicado: basta uma agenda semanal, com tarefas diárias (Você vai acompanhar algo bem específico para o planejamento diário no próximo capítulo). O cronograma tem outra vantagem: como você pode ver claramente se está vencendo as etapas necessárias, se está adiantado ou atrasado, ele o obriga a ser honesto consigo mesmo. Isso permite acompanhar seu progresso e fazer pequenas correções de rota. Afinal, poucas vezes tudo sai como planejado – e nada como um bom mapa para colocá-lo no caminho certo novamente.

4. Faça revisões constantes: Precisamos relembrar, de tempos em tempos, o que é exatamente que estamos perseguindo. Afinal, quem disse que você é obrigado a seguir até a morte um objetivo só porque você mesmo o estabeleceu alguns meses atrás? A vida muda, as coisas mudam, seus objetivos também podem mudar, por que não? Só não use isso como desculpa para desistir. Suas revisões devem servir para reforçar sua visualização do sucesso, bem como mostrar os resultados já atingidos e o que ainda resta por fazer. Quando as coisas vão mal, revisões podem lhe dar insights interessantes, além de relembrá-lo do seu sonho, reforçando pensamentos positivos. Quando as coisas vão bem, não existe nada mais motivador do que uma revisão do seu plano de ação, também reforçando pensamentos positivos. Por isso não deixe nunca de fazê-las, mesmo que mentalmente, porque vale a pena.

5. Não desperdice recursos: Todos temos a tendência a sermos meio centralizadores, principalmente com tarefas importantes. Somos pessoas de ação. O problema é que muitas vezes tentamos reinventar a roda. Como queremos resolver tudo, esquecemos que muitas vezes pode existir alguém que já passou pela mesma situação – e com sucesso. Da próxima vez que estiver “empacado”, saia do escritório e vá fazer perguntas. Fale com seu gerente ou colegas mais experientes. Pergunte para seus clientes de confiança. Ligue para um concorrente “amigo”. Vá à biblioteca ou navegue pela Internet. Estamos na era da Informação: aproveite e use-a!

6. Priorize atividades mais importantes: Quem já estudou administração da produção sabe que, através de sistemas do tipo CPM – Critical Path Method (Método do Caminho Crítico), podemos separar qualquer objetivo em subgrupos de atividades menores. Algumas dessas atividades são chamadas de críticas porque, se atrasarem, põem em perigo e atrasam o projeto inteiro. Outras coisas não: podem ser deixadas sem problema para o último instante. Descubra quais são as atividades mais importantes para atingir seus objetivos, e dê-lhes prioridade total. O que você precisa fazer para vender mais? Mais visitas? Mais telefonemas? Mais cartas? Mais follow-up? Pós-venda? Aqui também se aplica a lei de Pareto: 80% dos seus resultados geralmente são conseguidos através de 20% do seu tempo e esforço. Melhore a qualidade desses esforços e você vai estar bem mais perto do sucesso.

7. Não tome atalhos: Sucesso é 1% de inspiração e 99% de transpiração. Levam-se dez anos para fazer sucesso da noite para o dia. Sempre que ler a história de alguém que se deu muito bem, em qualquer atividade humana, preste muita atenção. 100% das vezes, sem exceção, você vai ver que essas pessoas estavam dando duro há muito tempo. Se atalhos fossem melhores, não teríamos estradas e nem avenidas. Em vendas, quem pega atalhos acaba pagando o pato lá na frente. Perde clientes e não consegue montar uma carteira estável de gente recomprando. Ou seja, ganha-se um agora para perder dez no futuro. Coisa de amador.

8. Resolva seus problemas agora: Colocar a cabeça num buraco e esperar o perigo passar geralmente só aumenta o tamanho do problema, piorando a situação. Mate o monstrinho assim que ele nasça. Retorne rapidamente seus telefonemas. Escreva já aquela carta. Peça desculpas agora para aquele cliente. Mas faça, e fique livre daquele peso o resto do dia. É a melhor maneira de aumentar sua produtividade (e de dormir tranqüilo!).

9. Respeite sua intuição: Sobrecarregados de informação, atolados até o pescoço em números, gráficos e relatórios, pressionados constantemente a tomar decisões rápidas... a verdade é que é difícil ser totalmente racional nessas situações. A intuição, muitas vezes, nos manda recados sutis de algumas coisas que não percebemos conscientemente. Ouça-a com cuidado, principalmente ao lidar com pessoas. Não precisa ser radical, chegando ao preconceito ou ao esoterismo. Mas, quando lhe der aquele friozinho na barriga, ou aquela vozinha lá no fundo lhe sussurrar algo... preste muita atenção. Afinal, não é um estranho mandando um recado. É você mesmo!

10. Siga seu plano – é hora de ação: Por fim, lembre-se de que o sucesso requer equilíbrio entre planejar e fazer, entre o teórico e o prático. Uma vez que você identifique como alcançar seus objetivos, deixe de lado a indecisão. Muitas vezes a diferença entre quem sonha com o sucesso, e aqueles que o alcançam, está simplesmente na consistência de seus atos. Pequenos passos e ações que, somados, separam os sonhadores dos conquistadores. Como disse Woody Allen: “90% of success is simply showing up” (90% do sucesso é simplesmente dar as caras). Porque 90% das pessoas desiste antes mesmo de começar.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Oportunidades

Imagine um agricultor que reclama do sol, da lua, da chuva, do tempo, do solo e da semente. Provavelmente não terá uma grande colheita e seus resultados serão bastante pobres. Ao seu lado, seu vizinho tem exatamente as mesmas condições, mas prospera. Porque será?

Imagine agora um profissional que reclama do mercado, do dólar, do seu salário, da empresa, dos colegas, dos clientes. Provavelmente seus resultados serão também bastante pobres. Ao seu lado, um colega tem exatamente as mesmas condições, mas prospera. Porque?

Para o agricultor, o tempo, o solo e a semente são suas ferramentas de desenvolvimento. São elas que lhe dão as condições para se desenvolver e prosperar. Para o profissional, sua empresa, seus produtos e serviços, colegas e clientes são suas ferramentas. Algumas pessoas vêm o que tem disponível como empecilho, enquanto outros como alavanca para o sucesso. Alguns aproveitam, outros reclamam. É basicamente uma diferença de atitude e postura, porque o disponível é exatamente o mesmo.

Acontece que tudo o que temos são exatamente essas ferramentas. Como é que alguém pode querer crescer reclamando justamente das únicas coisas que tem disponíveis? Não vai crescer nunca. Ou se aproveita o que se tem disponível, ou se morre reclamando e sem sucesso. E tudo por uma questão de atitude e postura.

É pelo mesmo motivo que muitos imigrantes chegam ao Brasil e prosperam. Chegam aqui sem nada, encontram maravilhados um país cheio de oportunidades, e mesmo sem falar a língua conseguem prosperar. Enquanto isso, todos nós conhecemos brasileiros que só conseguem enxergar o lado negro, as coisas ruins, a parte negativa do país.

O que precisamos é repensar e reposicionar essa nossa postura. Estamos tão acostumados com a abundância que já não conseguimos mais enxergá-la. Precisamos realmente que venham os gringos nos dizer que o Brasil é o país das oportunidades? Precisamos mesmo que venham nos ensinar a desenvolver mercados, construir empresas, criar marcas? Não - o que precisamos é entender que estamos rodeados de ferramentas.

Em todas as empresas com as quais trabalhamos, sempre pergunto qual a diferença de salário entre os melhores e os piores vendedores (quando são comissionados). A grande maioria das diferenças gira entre 5 e 10 vezes - o melhor vendedor ganha entre 5 e 10 vezes mais do que o pior. Vendendo o mesmo produto/serviço, para clientes semelhantes, com tabela de preços igual. Um vê oportunidades, outro só limitações.

Mesmo quando existem territórios diferentes, voltamos ao assunto original: adianta reclamar do terreno, se é essa ferramenta que lhe deram? E o pior: quem tem os resultados mais fracos não procura saber o que fazem os campeões. Sabe porque? Porque no fundo não lhes interessa. Isso faria com que tivessem que mudar, e a mudança é sempre incômoda. Muitas pessoas não querem mudar, mesmo que seus resultados sejam medíocres. Na verdade, querem apenas mais desculpas para justificar sua mediocridade. Enquanto isso, colegas, agricultores, empresários e imigrantes bem ao seu lado prosperam. Porque será?

Tem um ditado espanhol que diz que não existe pior cego do que aquele que não quer ver. A resposta para o sucesso e a prosperidade está aí, bem na sua frente, mas tem que querer enxergar. Aproveite o que você tem disponível, mesmo que seja pouco ou limitado, e você com certeza vai prosperar muito mais do que alguém do lado com as mesmas oportunidades, mas que não as usa porque está ocupado demais reclamando.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O outro dia recebi de um assinante um e-mail contando, todo orgulhoso, como criou um "paredão" (da vergonha) onde colocava a foto dos piores vendedores, "estimulando-os" a venderem mais. A campanha deu resultado, segundo este gerente, e foi um sucesso porque fez as vendas aumentarem. Por isso queria que eu publicasse seu caso de sucesso na VendaMais.

Este tipo de postura, infelizmente, não é incomum nas empresas. Mas sou radicalmente contra. Primeiro pelo lado humano. Segundo pelo lado profissional mesmo, pois duvido que este tipo de postura por parte da liderança de uma empresa possa trazer resultados consistentes e positivos a longo prazo.

Por tudo isso faz muitos anos que decidi não publicar na VendaMais qualquer tipo de iniciativa que estimule o constrangimento público de vendedores com baixos resultados. Até porque pode ter problemas legais, por assédio moral...

Sei que muitos casos são feitos de maneira que a princípio parecem divertidas, mas em alguns lugares não são - pelo contrário, são constrangedoras e degradantes. Por isso optamos por nos posicionarmos contra toda e qualquer iniciativa dessas na VendaMais.

Existem opções muito mais úteis do que humilhar vendedores, como por exemplo analisar o trabalho dos melhores e dos piores vendedores da empresa, ensinando os piores a vender com mais profissionalismo (através do treinamento). Além disso, alguns vendedores têm perfil correto para vender um determinado tipo de produto ou serviço, ou para atender um determinado tipo de público, enquanto outros não têm. Isso não é culpa deles, pois faz parte da personalidade do indivídio. A culpa é da liderança da empresa que não recruta corretamente.

A questão toda é que não adianta ficar batendo palmas dizendo "vamos lá"! para os vendedores. Um vendedor não vende mal porque quer vender mal (se for assim, é melhor demitir e questionar como é que esse profissional passou pelo processo de seleção). Ou você dá ferramentas e condições para que eles se desenvolvam, ou não pode cobrar deles resultados "mágicos".

Caso contrário, vai acabar com um bando de bolas murchas, que precisam constantemente serem enchidas. E isso não é culpa dos vendedores bolas murchas. Uma bola não deixa de ser murcha simplesmente porque alguém coloca sua foto no paredão. A questão é porque murchou, e como fazer que não se repita. Mesma coisa com vendedores...

Esses dilemas da liderança em vendas podem ser resolvidos com uma matriz 2x2 que criei, de habilidades e atitudes em vendas:

Baixa motivação e baixa competência: demite.
Baixa motivação e alta competência: motiva (incentivos e/ou dinheiro).
Alta motivação e baixa competência: treina.
Alta motivação e alta competência: desafia.

Essa matriz dá um bom norte e um caminho claro para lidar com as situações que freqüentemente surgem ao liderar uma equipe de vendedores, onde sempre teremos 10 a 20% de campeões, uma massa de 60 a 70% medianos e uns 10 a 20% de pangarés (ou imbecis, como gosta de chamar meu amigo Claudio Diogo).

De qualquer maneira, em nenhum lugar você verá o constrangimento público sendo usado de forma eficaz a longo prazo. Basta ver o filme "O Diabo Veste Prada" para entender porque, de forma genial.

domingo, 8 de julho de 2007

O verdadeiro segredo

Tem um programa do Seinfeld onde uma sorveteria começa a fazer o maior sucesso vendendo sorvetes “light”. As pessoas fazem fila para se deliciar com um sorvete maravilhoso que não engorda. Seinfeld desconfia daquilo, manda analisar o sorvete e descobre que é tudo uma enganação – o sorvete não era light nada. Tinha quase 40% de gordura, como todo sorvete delicioso geralmente tem, e na verdade engordava muito. Seinfeld denuncia a sorveteria, e aqui vem a parte engraçada: os clientes gordos da sorveteria se revoltam contra ele, Seinfeld, por haver arruinado a sua felicidade.

Toda essa introdução é para explicar mais ou menos como me sinto em relação ao sucesso editorial do Segredo. Essa história de “pensamento positivo”, lei da atração, etc., é do arco da velha. O professor Marins, por exemplo, contava nas suas palestras sobre os nativos que juntam-se para caçar e, no dia anterior, têm um ritual onde comemoram o resultado da caçada de amanhã. Ou seja, até os aborígenes australianos conhecem o segredo.

A grande questão é que estes aborígenes, na manhã seguinte, realmente saem para caçar, porque sabem que se ficarem na aldeia pensando, pensando e pensando, morrem de fome. Porque o verdadeiro segredo é fazer algo, não pensar em fazer.

Campeões de vendas fazem a mesma coisa: mentalizam uma venda sendo fechada antes de ir visitar o cliente. Para eles, o cliente já comprou. Só têm que ir lá fechar o pedido. Detalhe: esses profissionais pensam tudo isso, mas depois tiram a bunda da cadeira, vão visitar o cliente, ou ligam para ele, ou seja lá o que for que garanta a venda.

Mas se você assiste o filme, ou tenta ler o livro, fica com a nítida impressão de que basta pensar nas coisas que elas miraculosamente acontecem. Os exemplos dignos de charlatanice dados no livro chegam à beira do ridículo. Comecei a pensar em dinheiro e cheques chegaram pelo correio. Pensei numa pena de pássaro e ela caiu do céu. Pensei em emagrecer e comecei a perder peso. E por aí vai. É o paraíso dos incompetentes motivados, como aqueles vendedores que vão fechar dezenas de negócios “amanhã” (estou com várias propostas rolando!) mas nunca fecham nada. E continuam se enganando, pensando que só a fé vai salvá-los. Não vai. Como dizem os árabes, confie em Alá, mas amarre seu camelo.

Fãs e defensores do Segredo dirão que não, que na página x do capítulo y tem um pequeno parágrafo que fala sobre “fazer”. Porém, é justamente esse o ponto: para um livro inteiro sobre “pensar”, tem apenas um parágrafo sobre fazer.

Além disso, tem uma questão puramente estatística. Se 1000 pessoas “pensarem” em alguma coisa e essa coisa acontecer com 5 delas, você tem duas opções: a matematicamente correta, que é usar o cérebro e a inteligência, calcular que 0,5% das pessoas envolvidas conseguiu o que queria (ou seja, 99,5% não conseguiu) e assim afirmar com tranqüilidade que o resultado é estatisticamente irrelevante e não pode ser levado a sério; ou pode seguir o caminho da crendice acéfala, que foca apenas nos 5 que conseguiram, papagaiando que o sistema funciona e convenientemente esquecendo de comentar que 99,5% não funciona.

Por favor não me entenda mal. Não sou contra material motivacional ou de auto-ajuda. O que não pode é enganação escancarada, que só serve para enriquecer um grupo de pessoas – os autores. Se você quiser realmente se aprofundar neste assunto, recomendo os livros do Napoleon Hill – Pense e Enriqueça e A Lei do Triunfo, que está baseada em 15 regras (incluindo economizar dinheiro, produzir mais do que se é pago para fazer, ter iniciativa, praticar o auto-controle, etc.). Pelo menos são sérios e baseados em princípios muito mais sólidos do que simplesmente “pensar” que as coisas magicamente acontecem.

Sei que vou ouvir uma série de críticas por causa disto, porque não poderia ser diferente. Um dos motivos pelos quais este livro fez tanto sucesso é justamente porque temos ainda no mundo milhões de pessoas que continuam procurando atalhos, soluções fáceis, pílulas e fórmulas mágicas, etc. Para que trabalhar, estudar, etc., se posso apenas “pensar” e pronto... tudo acontece? Essas pessoas confundem pensar com sonhar.

Gandhi resumiu bem quando disse que a diferença entre nossa capacidade de fazer e o que realmente fazemos poderia resolver todos os problemas do mundo. Basta termos a coragem de pensar de forma diferente – e depois agir. Um passo por vez, um pouquinho todos os dias, e com certeza você conquistará qualquer objetivo em sua vida. Mas precisa fazer alguma coisa, não só pensar nela. Se tem um segredo, é esse.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Aventuras lusitanas

São 15:30, 11:30 no Brasil. Estou no trem (comboio, como dizem aqui) que vai de Lisboa a Coimbra, onde darei palestra amanhã para 150 empresários locais. Tive sorte – estou sentado numa poltrona super confortável, ar-condicionado, lugares vagos à minha volta... uma delícia. Como dizia um amigo meu, “se dei bem”.

Portugal é uma mistura interessante. Ruelas estreitas de paralelepípedos confundem-se com viadutos modernos; carros de última geração parados em cima da calçada por falta de lugar para estacionar; punks, hippies (ainda existem!) e senhores de gravata misturam-se como se fosse a coisa mais normal do mundo. E deve ser mesmo, pois você encontra a mesma mistura em Paris, Nova York e Montreal.

O atendimento nos lugares sofre da mesma mistura, assim como em qualquer lugar do mundo. Mas aqui é especial. Da primeira vez que viemos (Marília e eu), levamos uma bronca do taxista por não termos troco – como se a responsabilidade de levar troco fosse nossa, clientes. Essa postura é comum por aqui, como se estivessem fazendo uum favoire a lhe atender. A postura mais comum é a do “os incomodados que se retirem”. Embora os cartazes digam o contrário.

A reação inicial é a de querer entrar num bate-boca, como se minha eloqüência ao defender a satisfação do cliente, o bom atendimento e lógica capitalista do lucro pudesse vencer uma discussão dessas de maneira racional. Algumas coisas são culturais e, num país europeu, isso significa séculos de tradição arraigada. Está no DNA das pessoas e na educação que receberam, nos exemplos que vivenciaram de pais e avôs, nas experiências que eles mesmos passaram pela vida. Nestes casos vale a máxima “Quando em Roma, como os romanos”. Resumindo: leve troco quando andar de táxi! Eles não querem se incomodar – quem tem que se incomodar é você, cliente.

Outro exemplo típico do foco voltado para seu próprio umbigo aconteceu ontem, nos Armazéns do Chiado. Ao comprar um sorvete, tentei pagar com as moedas que tinha, para ver se me livrava de algumas que já estavam começando a pesar no bolso. “Não tem uma nota de 5?”, perguntou-me a atendente. “Porque?”, perguntei – “não prefere que eu pague com moedas, para facilitar e ter troco?”. “Não”, respondeu ela – “assim tenho menos moedas para contar na hora de fechar o caixa”. De uma honestidade ingênua muito charmosa, mas totalmente amadora.

Não vou nem começar a falar dos espaços para não fumantes (ou fumadores, que eu acho até mais correto). A discussão toda aqui em Portugal gira em torno do “direito” que os proprietários têm de decidir se um estabelecimento é não-fumador, fumador ou misto. Esta é a terceira vez que venho e até agora não vi uma única vez a palavra “cliente” ser usada para definir os rumos da questão. Que tal perguntar para os mais interessados, e os que trazem dinheiro para a empresa, se eles querem ou não querem conviver com os vícios dos outros?

E por falar em foco no cliente, acabo de ser abordado por um velhinho que pede meu bilhete. Descubro constrangido que estou indevidamente na primeira classe. Nem sabia que tinha primeira e segunda classe! Por isso estava tão confortável – alguma coisa tinha que estar errado, era bom demais para ser verdade.

Explico que ninguém me disse que existia a possibilidade de ir para a primeira. O velhinho me dá uma bronca tipicamente lusitana: “Todo mundo sabe que existem diferenças de classe!”. Pergunto se todos os trens em Portugal tem 2 classes. Ele responde “obviamente que não”. Logo, tento mais uma vez racionalizar, como se pode saber se um trem é primeira ou segunda classe? “Mas este aqui é, e pronto!”, marcando o final da conversa. Pergunto se não posso pagar a diferença e continuar aqui. Não, não pode – tem que ir para seu lugar. Saio levemente irritado com a pequena humilhação que todos sentimos secretamente ao sermos convidados a nos retirar da primeira classe, como se ali não pertencêssemos.

Ao sair, noto que o vagão está claramente marcado com um “1ª classe” numa placa da entrada. Só que o cérebro humano está treinado para ver o que ele procura ver. Alguém que sabe das duas classes certamente veria a placa. Alguém que não sabe, passa direto. É mais ou menos como dirigir num país estrangeiro que tivesse uma placa de preferencial completamente diferente. Ou um “Pare!” escrito em japonês.

Chego ao vagão de 2ª classe e vejo que até que não é tão ruim. Poltronas apertadamente confortáveis, como nos aviões e trens do mundo inteiro. A única diferença é a temperatura – este carro está desconfortavelmente quente. Tento abrir a janela e não consigo. Pergunto ao velhinho bilheteiro, quando passa novamente, se pode abrir a janela. “Não pode”, responde ele. Mas não vou facilitar. “Porque não?”, insisto. “Porque está fechada!”, responde com sua lógica lusitana. E sai. Já somos inimigos de morte, se tivéssemos espadas estaríamos duelando em pleno vagão.

Levanto e descubro o controle do ar-condicionado. Abaixo tudo e coloco-o ao máximo (ou mínimo, no caso). O carro imediatamente esfria. Pouco antes de chegarmos a Coimbra, o velhinho descobre e pergunta em voz alta: “Quem foi que mexeu no ar?”. Antes que me dê tempo de levantar e bradar com orgulho anarquista revolucionário “Fui eu!!!”, descubro que era apenas uma pergunta retórica. Ele provavelmente sabe a resposta de qualquer forma. Começa a resmungar impropérios para si mesmo, de maneira tão inaudível e carregado de sotaque lusitano que não entendo nada. Mas sei o que está pensando. Sorrio de maneira cínica, e sinto-me infantilmente vingado. Touché. :-)

quarta-feira, 20 de junho de 2007

10 lições que os maiores vendedores usam para aprender e continuar motivados

Você pode criar mais momentos desses na sua vida – basta criar as condições que acendem a chama do aprendizado. A Aprendizagem Máxima ocorre quando você está aprendendo da maneira mais saudável. Ela difere do estudo normal, porque vai muito mais além do que aprender a responder perguntas e resolver problemas de marcar 'x'.

Na vida real, na imensa maioria das vezes, você precisa aprender sozinho. Você não tem 'lição de casa' – é você mesmo quem decide o que quer e o que precisa saber, e como você pode aprender isso da maneira mais conveniente e divertida.

A Aprendizagem Máxima usa o mesmo método pioneiro criado pelo famoso psicólogo Abraham Maslow, quando ele revolucionou a psicologia ao estudar de perto as pessoas normais e felizes, e não as que tinham problemas mentais. Maslow descobriu que pessoas sadias psicologicamente têm 'experiências máximas' que pontuam rotineiramente suas vidas, com momentos agradáveis, emocionantes e afirmativos.

Brian Azar, especialista norte-americano em vendas, descobriu que a mesma coisa também acontece com o lado 'aluno' que todos temos. Quando atingimos o pico como aprendizes, temos experiências máximas de aprendizagem – momentos emocionantes de maestria e crescimento. Quando isso acontece, você se descobrirá usando a aprendizagem como uma alavanca para melhorar sua vida. É o caminho mais curto para ir do que você é hoje para o que quer ser amanhã.

Aqui estão, segundo Azar, as verdades libertadoras que transformam as pessoas em Aprendizes Máximos:

1. O que você aprende é para você: A maioria de nós passou anos intermináveis aprendendo pelos outros – nossos pais, professores, ou o próprio sistema de ensino, com todos os seus diplomas e notas no boletim. Agora, dê um passo para trás e veja que, como adulto, tudo o que você aprende é para VOCÊ. Isto tem conseqüências práticas imediatas. Você pode se aprofundar no tema que quiser, e aprender tudo o que precisa ou quer. Você não precisa mais sentir-se culpado por não ter terminado um livro. E você pode também decidir com avaliar seu aprendizado – agora você é professor e aluno.

2. Você já é um grande aluno, dentro das condições corretas, e você pode utilizar suas habilidades naturais para melhorar seu grau de aprendizagem: Você ganhará muita confiança lembrando-se de algumas das suas melhores experiências de aprendizado. Conversar sobre isso com outras pessoas vai revelar que cada experiência é única, e que cada pessoa tem seu próprio jeito de aprender melhor. Assim, você pode descobrir qual é o seu próprio estilo – como é mais divertido e eficaz aprender.

3. Você tem seu próprio estilo de aprendizado, que pode ser identificado, utilizado, fortalecido e flexibilizado para fazer de você um melhor aprendiz: A maioria das pessoas nunca descobriu que tem um estilo próprio de aprender. Se você conseguir descobrir qual é o seu estilo, você entenderá imediatamente porque tinha problemas com algumas determinadas matérias, professores, provas, etc., e porque outras pareciam tão fáceis. Além disso, descobrir seu próprio estilo é um passo fácil para aprender a utilizar melhor suas outras habilidades.

4. Você aprende melhor quando tem uma postura ativa – tomando suas próprias decisões sobre o que, onde, quando, como e porque aprender: O tédio resulta da convicção de estar fazendo algo forçado, e que o que você realmente queria estar fazendo é proibido ou momentaneamente impossível. Uma vez que você descubra que você tem toda a liberdade do mundo para aprender o que quer e precisa aprender, e do seu próprio jeito, sua motivação aumentará imensamente.

5. Você pode melhorar seu aprendizado aproveitando-se da "Universidade Invisível" que existe – mídia, grupos, organizações e pessoas: A Aprendizagem Máxima não é apenas o amontoado de atitudes e habilidades que você tem. Ela aumenta consideravelmente seu poder com o 'campus universitário' criado pela nova tecnologia. Seu computador, telefone, TV, biblioteca e correspondências conectam-no a uma rede global de informações e pessoas.

6. Você nunca é velho demais para aprender: Seu cérebro não desacelera ou perde o poder com o tempo. Na verdade, o que acontece é o mesmo que ocorre com os músculos – se você não usa seu cérebro, ele atrofia. Não existem motivos, tirando problemas de saúde, para seu cérebro não atingir continuamente novos planos mais elevados, ano após ano.

7. Você pode criar seu ambiente de estudo ideal, tornando seu aprendizado pessoal mais confortável e eficaz: Todos nós precisamos do 'nosso cantinho', onde podemos deixar cair as barreiras, libertar nossas almas, relaxar e aproveitar (como disse um poeta) "o melhor de tudo que já foi pensado e feito". O aprender é reforçado imensamente quando você consegue criar um santuário onde pode liberar os poderes da sua mente.

8. Para aprender, ensine: O expert em ensino Bill Drives sempre repete a mesma frase: "Todos podemos aprender, todos podemos ensinar". Mas isso ainda parece ser uma revelação assombrosa para muitas pessoas. Ensinar o que você sabe é uma das formas mais estimulantes para continuar aprendendo cada vez mais.

9. Você pode utilizar técnicas e estratégias específicas para motivar, acelerar e dar mais vida ao seu aprendizado: Hoje já existe um grande repertório de métodos para assimilar grandes quantidades de conhecimento. Entre elas: mapeamento da mente (mind-mapping), visualização, mudança de paradigmas, simulações e sistemas mnemônicos (que auxiliam a memória). Descubra qual é seu método preferido, e você aprenderá muito mais fácil e rapidamente.

10. Você precisa de outras pessoas para aprender: A fonte mais negligenciada do saber é o conhecimento adquirido pelas outras pessoas. Nosso sistema de ensino é individual (embora não seja individualizado). Somos condicionados desde pequenos a resolver tudo sozinhos (tanto que colar é proibido). Mas o ensino compartilhado, mútuo e colaborativo é uma norma na vida adulta – nos negócios, na ciência, nas profissões, nas famílias. Adquirir o talento de utilizar da melhor forma possível os talentos de outras pessoas, e deixar outras pessoas se beneficiarem dos seu talento, é uma das regras essenciais da Aprendizagem Máxima.

11. Não existem limites para o seu aprendizado (tanto que estamos já na décima primeira lição – é justamente dessa maneira que ocorre a Aprendizagem Máxima – você fica tão motivado que quer continuar mesmo depois de ter acabado!): Queremos repassar um ensinamento muito específico nesta última lição. Você pode tornar-se um dos maiores experts no mundo, um sucesso, um líder, um mestre ou guru no seu campo de atuação – se você estiver disposto a investir o tempo e os esforços necessários para que isso aconteça. O Mundo da Aprendizagem é uma grande sociedade, na qual você mesmo determina seu sucesso, seus resultados e sua própria estatura intelectual.

terça-feira, 19 de junho de 2007

A Curva ABC de clientes

A maioria das empresas tem clientes com perfis diferentes e muitas delas não lidam corretamente com essa diferença. Definem suas estratégias e operações de forma geral, tratando todos os clientes da mesma forma. Só que clientes são diferentes. Alguns querem muita atenção, mas compram pouco; outros compram muito, mas querem desconto; outros ainda compram de forma esporádica e sem planejamento. Para piorar, existe uma pressão cada vez maior pela otimização do uso do tempo em vendas. Isto deixa qualquer vendedor maluco (ou estressado).

A solução? Segmentar a base de clientes. Além de melhorar o atendimento, uma boa segmentação permite que um profissional de vendas canalize melhor seus esforços, diminuindo inclusive custos (deslocamento, tempo de espera, adequação da proposta, customização de produtos e serviços, etc.). A segmentação de clientes nada mais é do que juntar os clientes “parecidos” em diferentes grupos e, a partir daí, tratar cada grupo de forma mais personalizada.

Esse processo pode ser feito de diversas formas: por faturamento, por comportamento, por características sócio-demográficas (idade, sexo, renda), por região geográfica etc. Mas uma das formas mais usadas por profissionais de venda excelentes é a Curva ABC, e é sobre ela que vamos falar hoje.

Segmentando com a Curva ABC

A Curva ABC é, na verdade, uma conseqüência lógica do princípio de Pareto (aquele que diz que, em média, aproximadamente 80% do seu faturamento vem de aproximadamente 20% da sua base de clientes). A maneira mais fácil de explicar uma Curva ABC é mostrando como funciona na prática. Imagine que você tem 10 clientes e que você vai criar um ranking de acordo com seu faturamento médio mensal.

Cliente 1 compra: R$ 10.000/mês
Cliente 2 compra: R$ 9.500/mês
Cliente 3 compra: R$ 9.380/mês
Cliente 4 compra: R$ 7.500/mês
Cliente 5 compra: R$ 7.240/mês
Cliente 6 compra: R$ 6.300/mês
Cliente 7 compra: R$ 4.120/mês
Cliente 8 compra: R$ 3.880/mês
Cliente 9 compra: R$ 2.900/mês
Cliente 10 compra: R$ 1.050/mês

Se você colocar isto numa planilha do Excel e traçar um gráfico, verá que existem duas “quebras”, onde a linha abruptamente faz uma curva para baixo. Neste caso, teríamos que os clientes 1, 2 e 3 seriam considerados “A”; os clientes 4, 5 e 6 seriam “B” e o resto seria “C”. Algumas empresas criariam a categoria “D” para o cliente 10 e muitas vezes até mesmo uma “E”, para clientes inativos, que não apareceriam no gráfico porque seu faturamento é zero.

Uma vez divididos desta forma, o próximo passo seria analisar as características comuns, necessidades e demandas específicas de cada um destes segmentos. Como, quando, por que, onde e o que compram os clientes do grupo A, B e C?

O terceiro passo é criar um sistema de atendimento diferenciado, que possa ao mesmo tempo atender a demanda dos clientes e otimizar o tempo e investimentos da empresa. Por exemplo:

a) Clientes A: Visita pessoal toda semana.
b) Clientes B: Visita pessoal na primeira e terceira semana do mês, telefone na segunda e na quarta semana do mês.
c) Clientes C: E-mail marketing na primeira semana, visita na segunda semana, telefone na terceira e quarta semana do mês.

Isto é só um exemplo extremamente simplificado, lógico, mas já começa a ficar clara a diferença prática da segmentação. A idéia toda é dar mais atenção aos melhores clientes, sem prejudicar o atendimento aos demais. Este tipo de segmentação permite que o vendedor canalize melhor suas energias e possa preparar-se de forma mais adequada para visitas ou telefonemas.

Como já dito, você pode segmentar seus clientes de diversas outras formas (por freqüência de compra, por lucratividade, por porcentagem acumulada de vendas ou por qualquer outra característica que desejar), mas a lógica fundamental por trás da Curva ABC de clientes é esta: segmentar os clientes de alguma forma (geralmente por faturamento).

E, uma vez segmentados, criar maneiras diferenciadas e personalizadas de atendê-los, para que você inteligentemente administre recursos – tempo e dinheiro –, potencialize seus ganhos e melhore a satisfação/lealdade dos seus clientes que certamente ficarão contentes em ser atendidos de acordo com suas necessidades.

domingo, 17 de junho de 2007

10 motivos pelos quais vendedores falham

Grandes vendedores têm algumas características em comum. Gostam de trabalhar lidar com outras pessoas, são éticos, criativos, têm iniciativa, adoram o que fazem. Da mesma forma, vendedores que falham também têm características comuns. Segundo a especialista Helen Berman, existem 10 motivos principais que levam vendedores a não conseguirem bons resultados. Vejamos quais são:



1) Não gostar de vender: Muitas vezes, vendedores medíocres começaram suas carreiras em vendas porque precisavam de um emprego e acharam que, sem grande esforço ou talento, poderiam ganhar algum dinheiro na área. Estes vendedores são os mesmos que odeiam a segunda-feira (porque tem que ir trabalhar) e, quando chegam na empresa, passam a primeira hora e meia enrolando – arrumando a gaveta, tomando café e batendo papo. Enquanto isto, os melhores vendedores estão planejando a semana – e vendendo.


2) Levam a rejeição para o lado pessoal: Vamos encarar os fatos – ninguém gosta de ouvir um não. A diferença é que os melhores vendedores aprendem a lidar com isto. Vender é, antes de tudo, uma questão de inteligência emocional... não apenas com clientes, principalmente consigo mesmo. Vendedores que não investem no seu crescimento e equilíbrio emocional geralmente falham e acabam desistindo de vender.


3) Reclamam das ‘injustiças’: Vendedores fracos acham que as vendas deveriam cair nos seus colos, que negociar é difícil, que a empresa e os clientes só querem se aproveitar dele, etc. Ou seja, não tem nenhum espírito de luta e terceirizam sempre a culpa pelos seus insucessos, que nunca é deles, mas sim dos ‘outros’.


4) Não tem entusiasmo: Entusiasmo e vontade de vencer são fundamentais para conseguir superar momentos difíceis e podem compensar muitas vezes a falta de técnica ou de experiência. Aliás, os veteranos também precisam muito de entusiasmo – nada é mais triste do que ver um vendedor veterano cansado da profissão e sem motivação. As pessoas sem motivação criam um ciclo vicioso: por causa da sua desmotivação, seus resultados são sofríveis – aí eles ficam ainda mais desmotivados! A verdade é que se um vendedor não tem ‘tesão’ por si mesmo, pelos seus produtos/serviços e pela sua empresa, como é que pode esperar que o cliente tenha?


5) Não tem curiosidade: Vendedores fracos colocam seu foco no resultado final (o pedido) e não no contato com o cliente e no processo da venda. Bons vendedores aproveitam cada contato para entender pessoas – o que funciona, o que não funciona e como seus clientes vivem, pensam e tomam decisões. Vendedores que não prestam atenção nestes ‘detalhes’ tão importantes são os mesmos que depois não entendem porque não fecham vendas ou não batem suas metas.

6) Não tem paixão pelo produto ou serviço que representam, ou pelo mercado em que atuam: Obviamente é muito mais fácil vender alguma coisa quando você tem uma verdadeira paixão por ela. Vendedores campeões aprendem a amar o que fazem, que é ajudar seus clientes a encontrar melhores soluções para seus problemas e, assim, apaixonam-se cada vez mais pelo que fazem.


7) Não são competitivos: Pessoas que cresceram praticando esportes ou competindo de alguma forma aprenderam desde cedo as mais importantes lições de vendas. Aprenderam a treinar, a ter persistência, a melhorar sua técnica, a superar barreiras físicas e mentais, a motivar-se mesmo na derrota e usar essa energia para reerguer-se e voltar com garra buscando a vitória.


8) Não aceitam a responsabilidade: Vendedores fracos geralmente não conseguem entender como seu comportamento afeta seu próprio sucesso. Começam a dizer que a culpa é do mercado, do preço, da empresa, do governo, dos colegas... enfim, qualquer coisa. Embora saibamos que nenhuma empresa, produto ou serviço sejam perfeitos, vendedores campeões entendem que precisam jogar com as cartas que recebem. Como diz o ditado, quando a vida lhes dá um limão, bons vendedores fazem uma vendedora.


9) Enxergam obstáculos ao invés de desafios: Vendedores fracos desistem ao ouvir a primeira objeção. Acham que se fizerem perguntas ou insistirem mais um pouco, estarão ‘incomodando’. Do outro lado, vendedores excelentes sabem que objeções simplesmente mostram que o cliente têm dúvidas e que precisamos entender melhor suas necessidades e preocupações. Por isso vendedores campeões adoram objeções, enquanto vendedores medíocres têm pavor delas.


10) Não acreditam em treinamento nem no estudo: Dar um território, uma lista de clientes (ou pior ainda, uma pasta e nada mais) e exigir dele uma meta é receita garantida para o fracasso. Da mesma forma, não adianta sobrecarregar vendedores mais experientes com muitos produtos, serviços ou clientes. Vendedores precisam ter um tempo todo mês para treinamento – seja presencial ou à distância. Ler livros, fazer cursos, discutir seus problemas com outros vendedores, estudar como vendem os campeões... tudo isto é necessário para que um vendedor mantenha o machado afiado. Infelizmente, muitas vezes o que vemos são empresas que não investem nisto e vendedores que acham que é desnecessário. Assim, repetem sempre os mesmos erros, tentando compensar com malandragem e experiência sua falta de conhecimento. Campeões, ao contrário, sabem que a maior malandragem é ser bom mesmo – e isso só se consegue com estudo + prática. São as duas coisas juntas que levam ao sucesso.



E você - porque acha que muitos vendedores falham?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Matriz SWOT

A matriz SWOT é uma ferramenta usada no planejamentoestratégico, que permite encontrar as forças e fraquezasde uma empresa bem como as oportunidades e ameaças de mercado. A sigla vem do inglês, já que o criador foi Albert Humphrey, professor de Stanford:

S = "strengths" (forças) - análise interna, dentroda empresa.

W = "weaknesses" (fraquezas) - análise interna, dentroda empresa.

O = "opportunities" (oportunidades) - análise externa, fora da empresa.

T = "threats" (ameaças) - análise externa, fora da empresa.

O que torna a matriz SWOT particularmente interessante é que, ao organizar os esforços e discussões, você pode descobrir asoportunidades de mercado que a sua empresa está preparada para aproveitar. Ao mesmo tempo, ao entender melhor as suas fraquezas,você também pode se preparar para lidar de maneira proativa com as possíveis ameaças.

Uma boa matriz de priorização começa, antes de mais nada, com a definição de um objetivo estratégico. Esse foco permite que aferramenta seja melhor direcionada e fique bem mais prática. Desse modo, fica bem mais fácil entender o porquê da SWOT:"

- Strengths" - forças: atributos e características da sua empresaque podem ajudá-lo a atingir seus objetivos.

- "Weaknesses" - fraquezas: atributos e características da sua empresa que podem atrapalhá-lo na busca dos seus objetivos.

- "Opportunities" - oportunidades: condições fora da empresa quepodem ajudá-lo a atingir seus objetivos.

- "Threats" - ameaças: condições fora da empresa que podematrapalhá-lo na busca dos seus objetivos.

O uso criativo e eficaz da SWOT também depende do que se chama de time multifuncional - ou seja, pessoas de diversas áreas dentro da empresa, cada uma com seu ponto de vista, ajudando a cobrir todos os pontos importantes. Uma vez definido o objetivo, esse grupo se reúne para ajudar a identificar os fatores internos (forças e fraquezas) bem como os fatores externos (oportunidades e ameaças) que podem impactar a empresa na busca de resultados.

Como toda ferramenta, a matriz SWOT tem também algumas deficiências. Então fique alerta para evitar estes erros mais comuns quando for desenvolver a sua:

Erro 1: Não estabelecer um objetivo claro e definido a ser atingido. A SWOT não existe no vácuo. Ela só deve ser feita quando você já tem um objetivo bem claro definido em mente. O resultado deste erro é geralmente um trabalho acadêmico de fazer uma lista totalmente ineficaz e pouco prática.

Erro 2: Confundir oportunidades (externas) com forças (internas). Seja muito rigoroso ao questionar se realmente algo que você julga uma força (interna) é realmente algo que vocês fazem muito melhor do que todos os concorrentes, ou se é apenas um reflexo, uma reação, das condições externas favoráveis. Isso é muito comum com equipes de vendas que arrasam quando tem um produto ou serviço “matador” nas mãos e arrebentam de vender enquanto estão sozinhos no mercado. Acham que vendem bem por causa da sua “competência”. Aí surgem concorrentes mais baratos, ou com características inovadoras, e de repente se descobre que não são tão competentes assim.

Erro 3: Por ser uma lista (inteligente, mas ainda uma lista), a SWOT não define de cara as estratégias a serem usadas para alcançar um objetivo. Ela apenas lista os fatores internos e externos que podem ajudar ou atrapalhar. Mas lembre-se que são justamente esses fatores que vão ajudá-lo a ser mais eficaz no planejamento e execução das estratégias.

Erro 4: Não definir bem os fatores. Por exemplo: dizer que “tendência de mercado” é uma oportunidade. Qual tendência? Porque influencia? De onde ela vem? Para onde vai? Você tem números para provar? Defina muito bem os fatores, para que não haja dúvida de que realmente são importantes.

Erro 5: Seja específico para sua empresa. Uma SWOT da sua empresa deveria ser diferente da uma SWOT de qualquer um de seus concorrentes, porque sua empresa tem características próprias, mesmo competindo no mesmo mercado.

Algumas fontes interessantes, caso queira saber mais sobre o assunto:

Swot Analysis, Harvard Business School
Strategic Thinking, Simon Wooton & Terry Horne, Kogan Page.
http://www.wikipedia.com/
http://www.mindtools.com/
http://www.businessballs.com/

segunda-feira, 11 de junho de 2007

10 coisas (mais uma) que todo bom gerente de vendas precisa ter

“Você precisa gerenciar sua equipe como se precisasse mais deles do que eles de você”.

Peter Drucker

Se você é atualmente gerente comercial ou de vendas, ou um vendedor que aspira um dia ser gerente e liderar uma equipe, onde é que você consegue o treinamento e as informações necessárias para aprimorar-se?

Se você é como a imensa maioria dos gerentes, provavelmente conseguiu seu cargo por ter sucesso anteriormente, por ter empatia, boa comunicação e visão mais estratégica. Ou seja, alguém decidiu que, naquele momento, você era a pessoa mais adequada para assumir aquele cargo.

No começo da década de 70, Peter Laurence escreveu “The Peter Principle”, onde demonstrava que, freqüentemente, as pessoas são promovidas até atingirem seu limite de competência. Vemos isso com muita freqüência quando um excelente vendedor/a é promovido/a e vira um desastre de gerente.

Mas mesmo assim isto ainda é freqüente, então a maioria dos gerentes nunca teve treinamento formal em como gerenciar uma equipe ou na parte mais estratégica. Assim, temos que recorrer à leitura, mentores, cursos rápidos e o velho bom-senso.

Infelizmente, isto não é mais suficiente.

Para você ser um bom gerente de vendas hoje em dia, você precisa de habilidades muito desenvolvidas em várias áreas – a inteligência emocional, a visão macro-sistêmica do negócio, a postura estratégica... enfim, uma gama de habilidades que vão ajudá-lo a navegar com mais segurança no mar agitado da concorrência atual.

Baseado nas suas experiências como vendedor, gerente e mais tarde consultor, o especialista Paul DiModica fez uma lista de 10 coisas que todo bom gerente de vendas precisa ter.

1) Para ter sucesso como gerente de vendas, você precisa de um Ego grande mas flexível. Você será testado e questionado todos os dias pela sua equipe, pelos seus chefes e pelos seus clientes. Logo, você precisa ser forte o suficiente para ser criticado por todos e ainda assim ter a firmeza de defender seus pontos de vista com convicção quando tiver certeza das decisões que tomou.

2) Você precisa saber e entender previsões de venda. A única forma de aprimorar constantemente é quando você traça uma meta, faz planos passo a passo para atingir esta meta e depois compara o realizado com o planejado. Assim, você pode notar o que funciona, o que não funciona e melhorar constantemente seus resultados.

3) Você precisa entender as variáveis que influenciam se os seus vendedores atingem suas metas ou não (e como são calculadas). Ou seja, quais são as habilidades que um bom vendedor na sua equipe deve ter? Elas estão sendo desenvolvidas? Quais são os comportamentos e atitudes que um bom vendedor na sua equipe deve ter? Elas estão sendo estimuladas? Outra coisa: as metas dos seus vendedores são realistas e estimulantes?

4) Você deve gostar de relatórios. Eles são necessários – aliás, fundamentais! – para que um gerente de vendas entenda o que está acontecendo, o que precisa ser melhorado, quem precisa de ajuda. A vida de um gerente de vendas gira em torno de dois tipos de relatórios: os que falam do passado (mostrando o que foi feito) e os que falam do futuro (mostrando o que será feito). Comparar os dois e fazer os ajustes necessários é um dos segredos do sucesso de um bom gerente de vendas.

5) Você deve ter senso de humor. Vida de gerente de vendas é cheia de altos e baixos. Um dia você é um gênio e herói, no outro é um incompetente. Ter a capacidade de rir e relaxar nos momentos de maior tensão vai fazer com que você sobreviva aos momentos mais difíceis sem morrer de infarto ou perder os cabelos.

6) Você precisa entender de Marketing. Um bom gerente de vendas acaba influenciando diretamente o Marketing de uma empresa – afinal de contas, as duas coisas têm que estar intimamente ligadas. Campanhas publicitárias, folders, panfletos, spots de rádio, embalagens... enfim, tudo deve estar integrado com o setor de vendas da empresa.

7) Você deve respeitar o cliente. A quantidade de vendedores que usa termos pouco construtivos para descrever seus clientes mais exigentes é absurda. Além disto, vemos também todos os dias empresas criando promoções para atrair novos clientes, oferecendo condições melhores para compra do que para os clientes atuais. Isto é um desrespeito óbvio e, por maiores que sejam as pressões, um bom gerente deveria fazer o máximo possível para fidelizar e respeitar sua carteira atual de clientes.

8) Você deve ter alta capacidade de adaptação. O mundo de um gerente comercial muda a toda hora, com ataques da concorrência, clientes exigentes, pressões por resultados. Você precisa entender que, embora exista um planejamento, muitas vezes ele vai ter que ser refeito e repensado. Um gerente que traça um plano e depois não consegue se adaptar vai estar sempre estressado, estressar a equipe e no processo conseguir resultados bem abaixo do seu potencial. Por isto é tão importante conseguir adaptar-se rapidamente a novas situações.

9) Você precisa do apoio da sua equipe. Ao contrário do que pensa muita gente, o gerente de vendas não precisa (muitas vezes nem deve) ser o melhor vendedor da equipe. Mas ele/ela precisa do respeito da equipe – um gerente sem credibilidade é uma das maiores forças desmotivadoras que pode existir na vida de um vendedor.

10) Você deve se preocupar com seus vendedores. Sim, de vez em quando eles podem irritar você e fazer com que sua pressão aumente, podem causar dores de cabeça, podem ser as pessoas mais irritantes da sua vida. Por outro lado, são também sua maior fonte de alegrias – e como é através da sua equipe que um bom gerente consegue seus resultados, é com eles que deve se preocupar. Vendedores e vendedoras também têm esposas, maridos, filhos, pais, contas para pagar, etc. Trate-os como você gostaria de ser tratado. Se você já foi vendedor, fica ainda mais fácil: trate-os como você gostaria de ter sido tratado quando era vendedor.

Para terminar, um comentário pessoal: um gerente de vendas têm a capacidade absoluta de moldar sua equipe de vendas, e deve ter muito cuidado com isto. Gerentes durões acabam com equipes ‘duronas’; gerentes técnicos acabam com equipes técnicas, etc. é fundamental que um gerente tenha uma mistura de pessoas na equipe, refletindo a diversidade da carteira de clientes. Uma equipe mais heterogênea também faz com que a troca de experiências e os diferentes pontos de vista estimulem a criatividade e a inovação. Logo, bons gerentes buscam vendedores com algumas habilidades e atitudes específicas, mas que podem perfeitamente estar em profissionais de todas as idades, raças, etc.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

4 perguntas inteligentes para aumentar suas vendas

Entre todas as mensagens que recebo regularmente, a que aparece com mais freqüência é “Raúl, como faço para vender mais?”. A resposta, obviamente, é um categórico “depende”. Depende do posicionamento da empresa em relação aos concorrentes, depende da estratégia comercial, depende dos seus pontos fortes e fracos, depende dos recursos disponíveis, depende da sua vontade de realmente mudar.

Acontece que a maioria das pessoas que manda essas mensagens na verdade quer uma resposta fácil e rápida. Algo do tipo “como vender mais sem fazer força, sem mudar o que estou fazendo e, principalmente, sem me incomodar muito”. Isso me lembra uma brincadeira que vi tempos atrás: um livro plastificado, com o título “A vida sexual depois dos setenta anos”. Aí você compra o livro e ele vem com todas as folhas em branco – essa é a vida sexual depois dos setenta. Um livro sobre como vender sem se adaptar ou sem fazer força seria mais ou menos a mesma coisa: um livro em branco, porque isso simplesmente não existe.

Tenho batido nesta tecla com insistência porque realmente estou alarmado com a precariedade intelectual das discussões comerciais que acompanho. Técnicas requentadas são apresentadas com repetição assustadora e quase nada de novo aparece no front. Palestras técnicas são boicotadas pelo público e pelos próprios organizadores, preferindo depoimentos emocionados, piadas e muito oba-oba motivacional. Tudo muito ótimo, mas a ressaca da realidade no dia seguinte é braba: a concorrência continua lá, cobrando preços menores, oferecendo mais vantagens, roubando clientes consistentemente. Todo mundo motivado, mas motivado para quê? Para continuar apanhando? Parecem os samurais do filme O Último Samurai, galopando motivadíssimos contra uma metralhadora giratória. E morrem todos, super motivados. E agora, José?

A resposta passa cada vez mais pela estratégia. Precisamos evitar os problemas e aprender a antevê-los, mas infelizmente nos tornamos um bando de profissionais acostumados a apagar incêndios e correr atrás do prejuízo. Planejamento estratégico, acho que concordamos todos, não é nenhuma panacéia milagrosa. Mas que ele precisa ser feito, com certeza precisa, porque a falta é muito pior. Só não pode confundir as coisas. O outro dia, por exemplo, ouvi o diretor de uma das maiores empresas de telecomunicações do país dizer que, para lidar com a concorrência, sua estratégia mudava todos os meses. Ora, isso não é estratégia. É tática, e olha lá.

Tem leitores que aqui já começam a bocejar e reclamar que a discussão está ficando teórica. O que eles querem são os truques de venda, a malandragem da negociação, o pulo do gato. Bobagem total. Quem não se preocupa com a teoria só pode ser um péssimo praticante, porque vai sempre errar ou acertar sem saber porque é que acertou ou errou. Aí as condições mudam e a pessoa não sabe o que fazer, porque simplesmente não entende o que aconteceu. Por isso tanta gente chega a um ponto da carreira e empaca. Por ignorância, pura e simplesmente. Por preferir o atalho braçal da prática ignorante do que a estrada intelectualmente árdua da teoria. Uma não é melhor nem pior do que a outra – precisamos das duas.

Empresas que não tem vantagem competitiva clara e sustentável acabam sempre tendo que lidar com os truques e malandragens para sobreviver. O que não está errado, se for no curto prazo. Entretanto, a longo prazo precisamos aprender a estabelecer regras e processos que permitam à empresa adaptar-se e oferecer aos clientes vantagens e benefícios significativos, com lucro.

Como estamos falando aqui de inovação, então analise como empresas inovadoras mudaram seus mercados e veja o que podemos aprender com elas. Pense na Gol Linhas Aéreas (eliminando intermediários, custos com lanches, etc.). Pense no Habib’s (quibe por R$ 0,99, promoções todos os dias). Pense no Magazine Luiza (dando poder e participação aos funcionários).

Por isso, gostaria de oferecer 4 questionamentos simples, mas muito sérios, que podem mudar toda a estratégia da sua empresa. Foram originalmente criadas pelo professor do IMD N. Kumar e devem ser respondidos em grupo, de preferência com a participação do máximo possível das pessoas da sua equipe.

1) Porque fazemos negócios desta forma? Porque vendemos assim? Quais fatores do nosso ramo de negócio são considerados “imexíveis” mas poderiam ser questionados?

2) O que oferecemos para o cliente que tem custo alto mas o cliente não valoriza? Quais fatores poderiam ser cortados ou diminuídos sem grandes perdas?

3) O que o cliente realmente valoriza e deveria ser explorado/aumentado ao máximo?

4) Quais fatores poderiam ser criados como novidade – coisas que nunca foram feitas antes pela concorrência? Onde podemos realmente inovar?

Se você realmente quiser vender mais sem fazer força, só tem um jeito: com muita inteligência. Primeiro na visão teórica da estratégia, e depois na implementação prática. As respostas para as quatro perguntas acima podem ajuda-lo a mudar sua empresa, preparando-a estrategicamente para os próximos 10 anos. Sem truques nem malandragens.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Gestão em Vendas - Check list rápido de estratégia comercial

É comum receber e-mails de pessoas que me pedem ajuda porque a equipe de vendas parou de vender, as vendas caíram, etc. Então resolvi criar um check-list muito rápido para ajudar essas pessoas a pelo menos organizarem seu plano de ação, já que muitas vezes não sabem nem por onde começar.


Existem várias coisas que você deveria analisar caso sua equipe de vendas não esteja apresentando os resultados esperados:


1) MV2:

- Sua empresa tem a missão muito clara e definida? Porque ela existe, exatamente? Qual o motivo da sua existência?

- Sua equipe de vendas tem a missão muito clara e definida? Qual o motivo de sua existência?

- Qual a visão que vocês têm sobre o mundo, o mercado, os clientes, a utilização de seus produtos e serviços?

- Quais são seus valores - as palavras que definem seu negócio, sua cultura interna, tudo o que você faz e como todos se comportam?


2) Segmentação:

- Vocês segmentaram corretamente seu mercado? Existem 4 formas principais de segmentação:
a) Segmentação geográfica (por região, cidade, bairro, etc.).

b) Segmentação demográfica (sexo, idade, grau de instrução, renda, etc.).

c) Segmentação psicográfica (comportamento).

d) Por perfil de consumo (curva ABC, RFV - recência, freqüência, valor, etc.)


3) Posicionamento:

- Seu posicionamento está correto? Existem diferenciais claros em relação à concorrência?

- Dentro da segmentação escolhida, sua imagem no mercado em relação aos concorrentes (reais ou percebidos) influencia muito o resultado dos vendedores. Sua imagem está correta?

- Esses diferenciais são valorizados pelos clientes?

- Esses diferenciais são bem comunicados? (Ver os 4 P's, item 10 - Promoção).


4) Recrutamento e seleção de vendedores:

- O método de escolha dos vendedores está correto? Eles têm os conhecimentos, as habilidades e as atitudes necessárias para ter sucesso?


5) Treinamento:

- Sua empresa está treinando e capacitando os vendedores com as competências que eles precisam ter para ter sucesso? Está realmente dando-lhes condições adequadas para que realizem as atividades necessárias para ter sucesso, de maneira eficaz e eficiente?


6) Remuneração e incentivos:

- A remuneração está adequada?

- Os incentivos realmente incentivam?

- Os vendedores são estimulados a dar foco e atenção corretos às atividades que realmente trazem resultados?

- Existe estímulo para satisfação dos clientes, ou apenas vendas?

- Existe estímulo para aumentar o faturamento ou lucratividade?

São perguntas importantes, que devem ser respondidas de maneira inteligente.


7) Supervisão:

- Os diretores, os gerentes e os supervisores estão realmente capacitados para liderar a turma de vendedores? Vocês têm os conhecimentos, as habilidades e as atitudes necessárias para ser um sucesso como líderes de vendas?


8) Satisfação dos clientes:

- Seus clientes estão indicando seus produto/serviços?

- Vocês têm testemunhais de sucesso?

- Qual o grau de recompra dos clientes?

Uma empresa que realmente tem clientes satisfeitos têm um fluxo contínuo de novos negócios aparecendo, todos baseados na lealdade de clientes.


9) Estratégia comercial:

- Venda pessoal é apenas uma das ferramentas disponíveis numa estratégia comercial. Existem outras, como mala direta, internet, e-mail mkt, tmkt ativo e receptivo, mídia de massa, ações de guerrilha, etc. Sua estratégia comercial está correta? (Ver os 4 P's, item 10 - Pontos de Venda).


10) Os 4 P's:

Muita gente discute, diz que são mais, mas os velhos e bons 4 P's continuam valendo:

a) Produtos (e serviços): Estão adequados para a estratégia, segmentação, posicionamento e metas pretendidas?

b) Preços: Estão adequados para a estratégia, segmentação, posicionamento e metas pretendidas?

c) Promoção (propaganda): Existe uma linha clara de comunicação, com investimentos adequados, para contar ao mundo quem vocês são, seus diferenciais competitivos e razões consistentes para comprar da sua empresa, que estejam alinhados com a estratégia, segmentação, posicionamento e metas pretendidas?

d) Ponto de venda: Estamos trabalhando todos os canais de vendas possíveis, de acordo com a estratégia, segmentação, posicionamento e metas pretendidas?


Esta lista de perguntas certamente não abrange todas as alternativas e variáveis possíveis, mas com certeza é um ótimo começo para montar um plano de ação que realmente ataque as verdadeiras causas de uma equipe de vendas que não vende.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Remuneração fixa ou comissão para vendedores?

Quando fizemos no ano passado uma pesquisa entre nossos assinantes em cargos de liderança, descobrimos 4 grandes áreas de preocupação: recrutamento e seleção, treinamento, remuneração e incentivos e, finalmente, supervisão da equipe.

Destes quatro itens, o que mais tem provocado discussões interessantes nos meus workshops de gestão é a remuneração. Existe muita dúvida sobre esse assunto, principalmente em questões básicas. E não dá para aprofundar-se para questões mais complicadas, como remuneração por resultados, sem nem no básico existe concordância.

Vamos começar pelo começo: em vendas, existem dois tipos de remuneração – salário fixo e comissão. O salário fixo é pago independentemente de resultados, a comissão é baseada em resultados e metas. Pode existir um terceiro incentivo, a bonificação, mas vamos por enquanto nos ater aos dois principais, fixo e comissão.

Salário Fixo

  • Recompensam-se os resultados de longo prazo.
  • Força de vendas concentrada em atividades.
  • Cultivar e preservar os negócios já existentes.
  • Controles rígidos.
  • Orientação para trabalho em equipe.
  • Melhores talentos vão para outras áreas da empresa.
  • Prefere-se a estabilidade.
  • A administração não valoriza os vendedores ou não quer “discriminá-los”.
Comissão

  • Recompensam-se os resultados de curto prazo.
  • Força de vendas concentrada em resultados.
  • Caçadores buscando sempre novos negócios.
  • Vendedores mais livres.
  • Orientação para o “herói” (individual).
  • Melhores talentos são levados para a equipe de vendas.
  • Prefere-se arrojo e iniciativa.
  • A administração vê vendedores como embaixadores da empresa.

Como algumas empresas querem estimular fatores dos dois lados na sua equipe de vendas, é comum termos o sistema misto (fixo + comissão). Isso nos dá 3 opções: 100% de salário fixo, 100% de comissão, salário fixo + comissão (sistema misto). Todos os 3 sistemas têm prós e contras. Vejamos então quais são, de acordo com os autores do livro Manual Completo para Acelerar a Força de Vendas (Cultrix):

Vantagens e desvantagens salário fixo:

Vantagens

  • Vendedor com renda regular garantida.
  • Alto grau de lealdade.
  • É fácil trocar territórios, clientes, contas.
  • Fácil de administrar.
  • Custos de venda fixos e fáceis de calcular.

Desvantagens

  • Vendedores vendem produtos e serviços mais fácies de serem vendidos.
  • Não existe incentivo para melhorar performance.
  • Acomodação.
  • Favorece os piores vendedores.


Vantagens e desvantagens 100% comissão:

Vantagens

  • Pagamento de acordo com resultados; custos de acordo com volume de vendas.
  • Sistema fácil de medir e entender.
  • Maior incentivo – vendedor precisa investir tempo e energia para ganhar mais.
  • Vendedor passa a ser um micro-empresário.

Desvantagens

  • Vendedores dão maior ênfase a volume do que a lucro.
  • Não existe muita lealdade à empresa.
  • Diferenças muito grandes de remuneração dentro da mesma equipe.
  • Tendência a não fazer pós-venda.
  • Problema sério trocar territórios.

Vantagens e desvantagens misto (fixo + comissão)

Vantagens

  • As vantagens dos outros dois.
  • Maior flexibilidade e controle.
  • Dá um pouco mais de segurança à equipe de vendas.
  • Existe um leque maior de possibilidades para premiar e motivar.

Desvantagens

  • Um pouco mais complexo.
  • Se a comissão é alta em relação ao fixo, os vendedores vão embora quando a coisa fica difícil.
  • Difícil de administrar.
  • Objetivos de curto e longo prazo se misturam – e os de curto prazo sempre ganham.

Veja que não existe um sistema ideal de remuneração – isso vai depender de uma série de fatores, principalmente dos objetivos traçados pela empresa e pelo seu posicionamento de mercado. Espero que estas 3 tabelas o ajudem a visualizar melhor o sistema ideal de remuneração da sua empresa.

Fonte: Manual Completo para Acelerar a Força de Vendas; Zoltner, Zoltner e Sinha, Editora Cultrix.

domingo, 27 de maio de 2007

Persistência

Persistência

Existem várias características comuns em todas as pessoas de sucesso, independentemente da área de atuação. Mas uma parece ser permanente – a persistência. Pessoas de sucesso nunca desistem facilmente. Pelo contrário: sempre que você ler sobre alguma pessoa de sucesso, pode ter certeza de que em algum momento ela comentará sobre todas as dificuldades pelas quais passou. Tanto é assim que existe até um ditado que diz “Não importa o número de vezes que você caiu, mas sim quantas você se levantou”. Phil Knight, fundador da Nike, resumiu isso bem quando disse “O segredo é tentar só mais uma vez. Até acertar. Porque o acerto final é maior do que todos os erros anteriores”.

Muita gente não entende que a maior parte das coisas não dá certo na primeira vez. Não adianta só ser otimista ou ter pensamento positivo. Tem que fazer algo até dar certo. Mesmo Napoleon Hill, que escreveu um clássico da auto-ajuda chamado “Pensa e Enriqueça” repetia constantemente que você precisa fazer muitas coisas e aprender a conviver com o fracasso, com o erro, com o cansaço, com o desânimo, com a desmotivação. Pessoas de sucesso passam por tudo isso também – a diferença é que não desistiram hoje, porque sabiam que estariam prejudicando a si próprios amanhã.

Algumas pessoas semeiam hoje e já querem colher amanhã. Não funciona assim. A vida tem ciclos, tem fases, tem estações. Você tem que se adaptar a elas, fazendo o que é certo, até dar certo – mesmo que demore um pouco mais do que você imaginava. Essa é a importância da persistência, e esse é o caminho do sucesso.

Mas se isso é verdade (que a persistência é fundamental para o sucesso), e certamente muita gente vai concordar que é, porque então vemos tantas pessoas desistindo facilmente? Porque tanta gente compromete seu sucesso no futuro, desistindo hoje?

A questão fica mais fácil de entender se analisarmos de outra maneira. Na verdade, é importante entender que tudo o que fazemos hoje vai influenciar outra pessoa – você mesmo, só que amanhã. Então se amanhã eu quiser ser mais magro, preciso comer menos hoje. Se amanhã quiser conseguir mais oportunidades, preciso estudar hoje. Se quiser ser mais forte amanhã, preciso ir para a academia hoje. Note que quem paga o preço sou “eu agora” para que o “eu amanhã” possa ser mais feliz. É aqui justamente que a maior parte das pessoas tem um problema – seu “eu hoje” fica com preguiça e não quer pagar o preço por causa do amanhã. E desistem.

Gostaria de terminar este texto sobre persistência com um pequeno pensamento de Calvin Coolidge: “Nada no mundo pode substituir a persistência. O talento não substitui; nada é mais comum do que pessoas talentosas e fracassadas. A genialidade não substitui; genialidade sem recompensa é a coisa mais comum do mundo. Educação não substitui; o mundo está cheio desajustados bem-educados. Somente a persistência e a determinação são omnipotentes.”

Abraços persistentes,

Raul Candeloro
* Editorial da Motivação de Julho 2007 - www.motivaonline.com.br

domingo, 20 de maio de 2007

4 formas de aumentar suas vendas

Uma das mensagens que mais recebo por e-mail é "Raul, como faço para aumentar minhas vendas?". Passei anos respondendo "depende", o que sempre deixava as pessoas frustradas e, por conseqüência, a mim também.

Finalmente consegui organizar as informações disponíveis sobre isso de maneira organizada, simples e direta, que qualquer pessoa pode entender. Talvez isso possa ajudá-lo também, caso esteja passando por uma situação parecida.

As opções para aumentar as vendas de qualquer empresa, ou profissional de vendas, são:

a) Aumentar seu mercado (usando algum tipo de segmentação - geográfica, demográfica, psicográfica, ou por compartamento de consumo, como curva ABC, por exemplo). Só então decidir se são necessários novos produtos e serviços.

b) Aumentar sua participação de mercado - de duas formas:

b.1) Roubando clientes da concorrência (com o lançamento de produtosou serviços segmentados corretamente).

b.2) Parando de perder clientes para a concorrênca (fazendo a análisede perda de vendas e satisfação de clientes - a questão definitiva"Você nos indicaria para um amigo ou colega?"). Este trabalho de medir a satisfação dos clientes é fundamental - recomendo o Reichheld como fonte para quem quiser se aprofundar.

c) Aumentando a freqüência de compra (fazendo com que seus clientes voltem e comprem mais vezes). Isso muitas vezes implica em entender o ciclo de compras do cliente e tentar antecipar-se a ele na próxima compra, via telefone, e-mail, mala direta ou visita pessoal.

d) Aumentando o valor médio de compra (fazendo com que os clientes gastem mais, em média, quando compram de você). Aqui geralmente a venda casada (cross selling), trabalhando todo o mix disponível pela empresa, o upselling (vendendo produtos e/ou serviços mais caros), etc.

Basicamente é isso. Ao visualizar suas opções dessa forma, mais organizada, fica muito mais fácil entender quais estratégias devem ser adotadas para aumentar as vendas de maneira mais eficaz (e eficiente também).

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Primeiro e único - vocação

Outro dia estava assistindo a um vídeo do Brian Tracy, onde ele explicava que as pessoas meio "perdidas" na vida, que não tem tesão pelo que fazem, deveriam lembrar-se do que gostavam de fazer quando eram crianças. Assim, conseguem descobrir suas verdadeiras paixões e, dedicando-se a elas, têm muito mais sucesso pessoal e profissional.

Marcus Buckingham, autor de First, Break All the Rules, entrevistou muitas pessoas que largaram tudo e foram seguir suas vocações. Muitas delas, mesmo com cargas horárias de 10, 12 horas por dia, dizem "Eu não trabalho! Adoro o que faço - não dá para chamar isso de trabalho".

Bom... como o que eu fazia era escrever, já andava sentindo um pouco de falta disso. Principalmente porque tudo que escrevo já vem com regras - o editorial da VendaMais deve falar sobre isto e ter tantos toques. O artigo da Motivação deve ter este tem e ter tantos toques. E assim vai.

Estava sentindo falta de um pouco de liberdade. Principalmente para comentar dos lugares e pessoas que conheço durante minhas palestras. E das coisas que acontecem na correria do dia a dia. Por isto este em blog.

Abraço e obrigado pela companhia.

Raul